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O Louro

Na minha casa teve a história de um papagaio que sumiu. Sumiu não, né. Minha mãe jura que roubaram ele. O Louro, de humilde e simplório nome, era uma figura extraordinária! Cantava Ilare lare êh da Xuxa e Fuscão Preto , sem desafinar — completava sempre minha mãe. E tinha aprendido a chamar o Rafael, meu irmão mais velho e único filho naquele momento, a que viesse pra casa porque meu pai tava chegando.  Um dia apareceu um homem num carro de bacana, estacionou na porta de casa e, sem reservas, lhe perguntou: — Quanto a senhora quer pelo papagaio? Ele havia escutado talvez de outro dia, e ainda por cima o Louro, ao vê-lo chegar, avisou: — “Oh, Mariii-a! Mari-aaa, chegou visi-ta!” Minha mãe disse que riu inocente e respondeu: — Ihhh, moço, esse papagaio aqui é igual Maroca: num se dá, num se vende e nem se troca! O homem insistiu, disse que ela dissesse um preço, que tudo tinha seu preço. Mas minha mãe manteve-se firme e decretou: — O papagaio não tá à venda, moço, e o senhor vai d...

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