Nada será como antes
Penúltimo dia do ano.
lembra quando isso era importante?
quando na vastidão da infância, cabia o mundo inteiro
uma vida toda pela frente e ainda sim, devorávamos cada segundo.
os dias eram imensos!
Com olhos puros, víamos tudo por primeira vez e talvez por isso
12 meses era muito tempo.
1 ano, era um pedaço enorme das nossas vidas.
naquele tempo a gente ainda se surpreendia.
naqueles dias, 30 de dezembro era também reflexão profunda
a gente sentia estar terminando algo
e tinha esperança e planos pra um novo início
com a certeza de que nunca mais haveria outro igual
E nunca mais haverá outro 30 de dezembro de 2025.
amanhã já tem cheiro de futuro
mas hoje,
é o meio,
o ponto zero.
o lugar onde o fim se aproxima do começo.
E sinto de novo aquele gosto agridoce
da nostalgia que não fere
da lembrança boa,
da esperança emocionada
da ansiedade cálida de uma lista de desejos.
Me permito ritualizar.
Olho para esse 30 de dezembro como se nunca o tivesse visto
e nunca mais o fosse ver.
E me espanto pensando que eu também
nunca mais serei a mesma de agora
assim como sou hoje? nunca mais serei vista!
é único,
é fugaz.
me despeço então de mim,
abandono velhos hábitos
e doo roupas que não uso há muito tempo.
Eu quero abrir espaços, fazer listas sim e sonhar alto!
quero tirar dos olhos o cansaço da rotina
quero ver de novo, como via aquela pequena Regina:
o mundo vasto
o sonho impossível
o mistério de Deus
o segredo das plantas
a alma dos bichos
o propósito da vida
a força de um destino
que virá me encontrar.
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