Um ser chamado Domingos
Uma vez, conheci um rapaz chamado Domingos. E ele era triste, como um domingo daqueles!
Toda vez que o via, chorava.Me contava alguma história e terminava desaguando.
Às vezes entre um soluço e outro, Domingos ria.
Um sorriso meio angustiado, olhando pro lado.
Então avistava algum conhecido, e partia.
E eu ficava ali.
Pensando.
Às vezes era eu o conhecido.
De longe, quando me via, não tinha escapatória.
Me gritava no meio da rua e feliz acenando,
vinha até mim.
Seguíamos juntos, caminhando um momento.
Lembro que Domingos me deu um apelido.
Tentei muito recordar qual... impossível!
Apenas retenho a sensação que me causava.
Quando no meio da rua ele me chamava
e as pessoas curiosas buscando,
me viam responder.
Sei que era doce e que se referia a minha aparência.
Domingos não tinha vergonha de demonstrar afeto ou fazer elogios.
E apesar do constrangimento público, conseguia me fazer sentir especial.
Domingos era triste,
mas quando me via, por um momento,
se alegrava.
Depois eu fui embora daquela cidade,
e nunca mais soube dele.
Às vezes me pergunto se ainda segue por lá.
Não lembro se cheguei a me despedir, mas
tenho a sensação de que sim. Que o avisei.
"Tô indo embora".
Faz tempo que penso no Domingos.
E de verdade, queria ter escrito antes sobre ele
E sobre as histórias que me contava
O que ficou são apenas recortes e sensações.
Que curiosamente, a cada domingo,
passam a me visitar.
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